Se quando começo a escrever, a idéia vem quando começar a viver, a vida virá” (pag. 19)
“De Alma Levada” (Editora Pedregulho, 2022) é o meu primeiro livro de poemas e consiste em uma espécie de ato de expurgação poética, ao mesmo tempo, que uma reflexão sóbria e brincante sobre o ser em suas diversas relações no cotidiano na cidade.
Ao trazer a dimensão lúdica para a experiência poética, aposto na criação como ato, não apenas terapêutico, mas transformador de si e do mundo.
Os escritos, que por vezes se apresentam, em formas e estruturas concretas, são registros poéticos inusitados de experiências e se desenham como “anotações, fragmentos de inspiração mágica, [que] nos guiam como artefatos que permitem que a alma se mantenha em movimento, próxima da criatividade pulsante da criança que mora em nós”
É um convite, ao mesmo tempo que um experimento pessoal de transformação ao longo dos anos, para ousarmos a expressar o que sentimos, mesmo quando não encontramos palavras. É um convite à desaceleração e a presença mais alegre e levada no mundo.
As telas nos cansam, mas queremos sempre mais e mais, como se estivéssemos em uma inesgotável busca de algo que supostamente perdemos
Ruas com menos carros e mais respeito é o que gostaríamos de ver quando pedalamos, para quem sabe assim não sermos mais um número na lista de acidentados ou de estressados
O homem da cidade está tão acostumado ao barulho que não consegue (se) ouvir (o silêncio). A constante afronta ao silêncio que vemos é um sintoma de um tempo sobrecarregado e cansado
Nietzsche, com sua lucidez cortante, nos lembra: “Temos a arte para não perecermos da verdade.” Que possamos honrá-la não apenas como um refúgio, mas como uma aliada essencial na construção de um mundo menos rígido.
O gesto de escrever à mão, ou de recorrer à velha máquina de escrever, é mais do que nostalgia: é uma forma de resistência. Ambos exigem corpo, ritmo e demora