
Depois de dois anos atuando como psicólogo na Unidade de Saúde de São Cristóvão, em Vitória/ES, encerro um ciclo importante na minha trajetória profissional e pessoal. Ao longo desse tempo, vivi intensamente o cotidiano de uma equipe multiprofissional, onde o cuidado em saúde se constrói a muitas mãos — entre profissionais, usuários e o território que pulsa ao redor.
O trabalho na Atenção Primária é, por essência, diverso: escutei histórias marcadas por sofrimento psíquico, violência, adoecimento crônico, situações de vulnerabilidade social, mas também por afetos, resistências e modos criativos de lidar com a vida. Cada encontro foi único. Em meio a protocolos, visitas domiciliares, grupos, encaminhamentos e escutas individuais, fui aprendendo a reconhecer as nuances que atravessam o cuidado em saúde.
A experiência no SUS me ensinou a importância de olhar para o sujeito para além dos sintomas, ampliando o foco da clínica. O trabalho em equipe, com médicos, enfermeiros, agentes comunitários, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e tantos outros, mostrou na prática o que significa cuidar de forma integral. A escuta do território, a construção de vínculos e a aposta na singularidade de cada caso foram aprendizados que sigo carregando comigo.
Agora, com o encerramento desse ciclo, me dedico exclusivamente aos atendimentos em consultório particular, no bairro Santa Lúcia, em Vitória/ES, além do atendimento online. Mas não deixo para trás a perspectiva de uma clínica ampliada — pelo contrário, ela segue como norte. Afinal, os encontros e as experiências vividas no SUS seguem reverberando e me ajudam a sustentar uma escuta ética, comprometida e sensível à complexidade da vida.
Agradeço profundamente a todos e todas que compartilharam comigo esse percurso — equipe, colegas e, principalmente, as pessoas que me confiaram suas histórias. A potência do SUS é real e transformadora, e sigo apostando nela, mesmo agora, em outro espaço de cuidado.


